Futebol

 

Sérgio como foi o teu percurso dentro do CDCP?

Cheguei ao piedade como jogador, no meu segundo ano de senior. Estive na equipa que subiu da primeira de Setúbal para o CNS, e joguei ainda dois anos no CNS, tomei a decisão de sair no ano em que fomos campeões nacionais e subimos à segunda liga. Enquanto estava na faculdade a fazer a licenciatura em educação física, comecei a treinar os escalões de formação. Acabei por ser campeão no escalão de benjamins A onde fiz o estágio de grau 1.

 

Curiosidade....

Até aos 22 anos, o Sérgio nunca tinha colocado a hipótese de vir a ser treinador. O gosto cresceu com a vivência diária, e com as rotinas do treino, e também a grave lesão no joelho levou a esta decisão.

 

Como foi a chegada ao futebol 11 no clube?

Depois de terminar a licenciatura, tinha de fazer o estágio do Grau 2, e fiquei com os S14 onde cumpri esse estágio. Também neste ano fomos campeões da segunda distrital de Iniciados S14, muito importante para que a Equipa B de Iniciados pudesse competir a nível mais elevado, de forma a reduzir a diferença para o Campeonato Nacional.
No final deste ano fui convidado para dirigir a equipa de S17, que procurava regressar aos campeonatos nacionais. Fomos novamente campeões da Distrital de Juvenis, e no ano seguinte permaneci como treinador dos S17.

 

Estamos a falar da última época, primeira experiência como treinador principal em contexto de campeonato nacional, como foi a experiência?

Senti uma grande diferença na exigência, melhores jogadores, ritmo mais alto. Aproveitei a minha experiência enquanto atleta, uma vez que fiz a minha formação no SL Benfica e aliado à minha formação académica demos seguimento a um crescimento regular do clube. Não trabalhamos sozinhos, desde o recrutamento passando pelo departamento médico, nutrição e psicologia, o Cova da Piedade oferece aos jogadores e treinadores condições muito acima da média.

 

Como foi a época ?

A época na primeira fase foi bastante competitiva, onde sabíamos que seria difícil lutar pela passagem à fase de apuramento de campeão. Fizemos uma primeira fase regular mas insuficiente para conseguirmos o apuramento.
Na segunda fase acabamos por sentir os jogadores mais libertos, menos ansiosos, e fomos dominadores. Tivemos uma derrota apenas, e alcançámos o primeiro lugar da série, melhor classificação do Cova da Piedade na prova.


A época já tinha terminado, quando se iniciou a pandemia?

Sim, disputamos a última jornada na semana anterior, estávamos prestes a iniciar o torneio complementar, de preparação para a época seguinte.


O que retira de mais positivo na última época?

O ambiente positivo e de verdadeira união dentro da equipa. Os laços de amizade construídos, dado ser uma geração com vários atletas recrutados, e que a médio prazo se revelou uma vantagem. Por outro lado a projeção do talento dos jogadores, a evolução nas competências técnico táticas que se registou, visto ser este um dos objetivos fundamentais projectados pela coordenação técnica. Temos jogadores que podem ambicionar outros níveis.

 

Sérgio, quando fala de outros níveis, parece-te que alguns destes jovens podem sonhar representar a primeira equipa do Cova da Piedade?

Sem dúvida! Neste momento o Cova da Piedade vem a trabalhar cada vez melhor, profissionalizou a sua estrutura, temos mais qualidade. Temos a equipa de S23 que permite que os jogadores cresçam gradualmente, o melhor exemplo é o Francisco Varela que este ano se estreou na nossa primeira equipa, titular na segunda liga com 19 anos.  Dos nossos jogadores de 2002 temos o caso do Rodrigo Freitas que fez a pré temporada com a equipa principal. Referir ainda que também o Gonçalo Pinto assinou contrato profissional com o Sporting.

Se fosses um jogador jovem, a fazer a tua formação, e tivesses de optar por um clube para representar na próxima época, o que te levaria a escolher o Cova da Piedade?

A minha opinião é suspeita (risos) mas ainda assim o Cova da Piedade é o segundo clube onde passei mais anos no futebol, estive 11 anos no Benfica. Mas a verdade é que encontro, nos últimos 8 anos que represento este emblema, muito amor e muita dedicação dos funcionários do clube. Assim se explica o crescimento do clube, o rigor e a exigência que todos os treinadores colocam no dia a dia. Somos verdadeiramente amigos, dentro e fora do campo, sinto-me acarinhado e valorizado. Na minha opinião este é o maior argumento, porque este é o sentimento de todos, funcionários, direção e Jogadores.
Por outro lado ser jogador a este nível exige competência, conseguimos ter jogadores de muita qualidade e condições de treino muito especiais. Ginásio regular com excelentes profissionais, treino de guarda redes, departamento medico, e todo o apoio logístico. Destaco ainda a observação e análise de treino e competição que nos permite ter condições para ajustar o processo. Quanto jogamos fora temos transporte próprio, estágios, alimentação, condições essenciais ao sucesso. Depois as condições de treino, espaço e horários muito bons e material de treino adaptado às exigência do nível competitivo que jogamos. Julgo que por estes argumentos, que me fazem a mim enquanto treinador sentir-me motivado e querer permanecer neste projeto, e se fosse jogador optaria igual.

 

Sérgio falou de vários departamentos e valências, o dia à dia dos jogadores não se resume ao treinador principal?

Na equipa técnica somos 6, Fábio Páscoa, José de Menezes, Diogo Carvalho Gonçalo Teixeira e Ruben Brito. A Mafalda é a nossa nutricionista, a Vanessa a Psicóloga, o Tiago Perdigao da Análise e do departamento médico são 6 fisioterapeutas.
A direção é muito presente, o nosso Presidente Paulo Veiga, acompanha treinos e jogos, gosta de saber o que fazemos, temos ainda Sr. jorge Ramos e o Sr. Luís Ribeiro vice presidentes que também nos apoiam incondicionalmente. Da área técnica temos o acompanhamento e orientação permanente do nosso coordenador
Henrique Silva. Portanto sim é verdade, somos uma equipa muito coesa.


Sérgio para quem não te conhece tão bem...

(Risos) mais (risos) gosto muito do que faço, sou feliz, toda a gente pode contar com a minha boa disposição, as vezes até demais ( risos). Ainda assim não escondo que sou exigente, rigoroso e perfeccionista em tudo o que faço, no trato com os jogadores sou frio, mas dou o que tenho e o que não tenho por cada um deles.

 

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